Clipping

RÉGUA DA CIVILIDADE

Assumir riscos no trânsito é algo tão arraigado à personalidade do brasileiro que supera o instinto humano mais forte, o de sobrevivência. Ninguém se considera em perigo quando ultrapassa em local proibido, anda de bicicleta na contramão ou atravessa fora da faixa de segurança.

Mas essas pessoas deveriam se preocupar – ao menos um pouco. Uma pesquisa da Polícia Rodoviária Federal constatou que 97% dos acidentes em rodovias são provocados por falha humana - vale frisar que nem sempre é possível identificar a causa. Na cidade de São Paulo, esse mesmo fator, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), aparece em 98% dos registros com vítimas de acidentes fatais.

O massacre no asfalto é primordialmente consequência do desrespeito às normas de trânsito. Mas esse nível de imprudência não tem causa única, pois é também resultado da maneira como nossa sociedade foi formada: com aristocracia, privilégios, escravidão e machismo. Durante a Colônia e o Império, obedecer a qualquer regra era o comportamento esperado dos subalternos, não dos senhores.

Esse, digamos, “estilo de vida”, vai contra a lógica das leis e equipamentos de trânsito comuns ao espaço público. O semáforo não abre mais rápido para um SUV blindado do que para Fusca enferrujado. O princípio de igualdade não deixa brecha para o “você sabe com quem está falando?”. O choque da impessoalidade do trânsito dentro de uma sociedade personalista é, na opinião do antropólogo Roberto da Matta, a origem de toda essa agressividade e desobediência.

“Em uma República, sem dúvida, os sinais servem para todos. No Brasil, não obedecem. Você pergunta: por quê? Porque esse nosso problema não é com a desigualdade, nosso problema é quando você tem a igualdade” 

Roberto da Matta, antropólogo

Muitas vezes essa maneira de ser, comumente chamada de “jeitinho”, que acomoda parte das nossas raízes, entra em ação sem consequências imediatas ou em curto prazo. Há quem veja esse comportamento como um trunfo para a sobrevivência em meio a dificuldades. Mas quando esses ”recursos” encaram as particularidades do trânsito, o que temos em troca é uma estatística que revela o grau de civilidade – ou falta dela – em uma nação.

Em 2013, por exemplo, o Brasil foi o quarto país do mundo em número absoluto de mortes no trânsito (43.869) e o 42º no ranking de mortes a cada 100 mil habitantes (22,5), segundo relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde). Esse quadro é pior que o depaíses como Somália, Bangladesh e Haiti. Alguns registros domésticos são ainda mais alarmantes.

Veja mais em… http://tab.uol.com.br/mortes-no-transito/#imagem-3

A velocidade nas principais vias de São Paulo virou um dos principais temas da campanha eleitoral na cidade depois que quatro dos candidatos à Prefeitura –Celso Russomano (PRB), Marta Suplicy (PMDB), João Dória (PSDB) e Major Olímpio (SD)– prometeram rever as medidas tomadas pelo candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), que chegou a criar áreas com limite de 40 km/h.

Marta Suplicy (PMDB) e João Dória (PSDB) disseram inclusive que aumentarão a velocidade nas marginais dos rios Tietê e Pinheiros, que passaram na atual gestão de 90 km/h para 70 km/h na pista expressa e de 70 km/h para 50 km/h nas pistas locais.

As promessas, no entanto, vão contra uma orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) que vem sendo seguida por várias capitais pelo mundo para combater a epidemia de acidentes de trânsito.

Segundo o órgão, a redução da velocidade diminui o número de acidentes (e, consequentemente, o de mortos e feridos) e melhora o fluxo do trânsito e qualidade do ar.

Estocolmo, na Suécia, foi a primeira capital a fazer a mudança, em 1997. Desde então, muitas outras cidades seguiram por este caminho. Em Nova York, por exemplo, a velocidade em vários bairros é de 32 km/h.

Veja como funciona nesses lugares:

Londres

A capital da Inglaterra vem adotando, nos últimos anos, medidas para diminuir a quantidade de acidentes no trânsito, incluindo a redução de velocidade. Atualmente, o limite de velocidade é de 32 km/h em ruas e avenidas importantes da cidade.

Paris 

A velocidade máxima permitida nas pistas do anel viário da capital francesa foi reduzida para 80 km/h para 70 km/h no começo de 2014. Dentro da cidade, o limite é de 50 km/h, com limites baixos em determinadas áreas.

Nova York

Em novembro de 2014, a administração da maior cidade dos Estados Unidos reduziu o limite de velocidade para 40 km/h. Em vários bairros, porém, o limite é ainda menor: 32 km/h. As medidas foram acompanhadas de uma campanha de conscientização e de ações para aumentar a fiscalização no trânsito.

Veja mais em… http://eleicoes.uol.com.br/2016/noticias/2016/09/26/40-kmh-32-kmh-onde-no-mundo-a-velocidade-baixou-e-qual-o-atual-limite.htm

 

Nessa edição do Vem Comigo, a nova geração de repórteres e cinegrafistas da Faculdade Cásper Líbero falam sobre o aumento do número de radares de trânsito em SP.  

Assista a reportagem completa clicando no link abaixo:

Programa Vem Comigo

O sistema de radares da avenida Dom Aguirre contribuiu com a Polícia Militar na identificação e apreensão de um veículo furtado na madrugada do último dia 1º, no bairro de Pirituba, em São Paulo.

O veículo foi detectado pelo sistema por volta das 13h, trafegando pela avenida.

Dois rapazes, um de 26 anos e um adolescente de 17 anos, estavam no veículo, um VW Polo, placas DOS 8164. A PM foi acionada e conseguiu interceptar o carro na avenida Afonso Vergueiro. Os dois ocupantes confessaram que o carro era furtado.

“Assim que fomos acionados, fechamos a Afonso Vergueiro e a sequência da Dom Aguirre, sentido Votorantim. Conseguimos pará-los na primeira rota”, afirmou um policial que participou da ocorrência. Os dois foram levados ao Plantão Policial Sul. O adolescente foi liberado ao responsável. No final tarde, Ezequiel ainda seria ouvido pela autoridade de plantão.

Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/608856/radar-identifica-carro-furtado-em-sp

Mesmo sem a aplicação de multas, os 19 radares instalados ao longo da Rodovia Fernão Dias, que entraram em operação no dia 28 de fevereiro, já registraram cerca de 550 mil ocorrências por excesso de velocidade em pouco menos de três meses. Só no Sul de Minas, segundo a Concessionária Autopista Fernão Dias, que administra a rodovia, os sete radares instalados ao longo do trecho sulmineiro apontaram 58 mil infrações durante o mês de abril. A média é de 1,34 infração por minuto.

A maior parte das infrações cometidas na região foram registradas pelo radar instalado em Estiva: 23.773. Os radares instalados em Camanducaia (MG) e Carmo da Cachoeira (MG) registraram 8.843 e 8.806 infrações respectivamente. Além desses municípios, também há equipamentos instalados nos trechos que passam por Santo Antônio do Amparo e Cambuí.

Segundo a Autopista Fernão Dias, ainda não há a previsão para o início da aplicação de multas aos motoristas infratores.

Um convênio entre a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) será necessário para que as multas comecem a ser aplicadas.

 

 

 

 

 

 

http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2014/05/radares-da-fernao-dias-registram-58-mil-infracoes-somente-em-abril.html

Uma parceira entre a Escola Politécnica Federal de Lausana, na França, e a PSA Peugeot Citroën deve criar um carro capaz de ler emoções. Com a tecnologia, os automóveis poderão reconhecer qual o humor do piloto do carro e interferir em casos de perigo.

Uma pessoa muito nervosa dirigindo pode ser perigosa. A falta de concentração na estrada, por exemplo, poderia causar acidentes sérios. Outro uso para a a tecnologia é detectar caso o motorista esteja exibindo sinais de extremo cansaço. Em ambas as situações, o  carro pode ser bloqueado para que o motorista não possa dirigir naquela situação.

Para isso, a tecnologia que deve ser aplicada é o uso de câmeras de infravermelho. Localizadas em algum ponto do carro, elas devem ficar viradas de frente para o motorista para realizar a análise usando o computador de bordo.

Outra empresa que também quer analisar o motorista em tempo real é a Volvo. A montadora está trabalhando em um sensor de atenção e de auxílio ao motorista.

Em momentos em que ele seja captado distraído, um piloto automático pode ser ativado para evitar que ele saia da rota. Outra possível reação é usando um sistema de luzes para recobrar a atenção de quem estivar atrás do volante. Em casos extremos, como um motorista dormindo, o sistema pode acordá-lo.

“Isso irá permitir que o motorista confie um pouco mais no seu carro e saiba que irá ter ajuda em um momento de necessidade”, diz Per Lanfors, engenheiro da Volto e líder do projeto em um comunicado da empresa sobre o assunto.

Fontehttp://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/o-carro-do-futuro-vai-ler-as-emocoes-do-motorista

A partir de abril, a capital paulista terá um aumento de 40% no número de radares. O número atual de 601 passará para 843, o que representa um investimento de R$ 529,7 milhões nos próximos cinco anos com a concessão da operação por empresas terceirizadas. Mensalmente, cada equipamento custará R$ 10,5 mil.

Parte dos radares atuais serão substituídos por equipamentos mais modernos, capazes de identificar placas. Assim, a CET poderá multar por excesso de velocidade, dia de rodízio e invasão da faixa de ônibus. Em 2013, São Paulo bateu recorde de arrecadação com multas, alcançando a cifra de R$ 850,5 milhões. Com os novos “pardais”, a cidade vai recolher anualmente R$ 1,2 bilhão!

Os novos radares vão cobrir também os 371 km de vias que serão incluídas na ampliação do rodízio, que não tem data para começar. Antes seria em abril, mas foi adiado. Do total instalado, 404 radares fazem parte do chamado Grupo A e além das infrações já citadas, também identificarão veículos suspeitos de furto/roubo ou ausência de licenciamento ou inspeção.

Os do Grupo B serão 168 equipamentos, que ficarão nos cruzamentos e terão todas as funções do Grupo A, exceto invasão de faixa. No entanto, pegarão quem avançar o sinal vermelho, queimar a faixa de pedestre e realizar conversão proibida.

Já o Grupo C terá 80 radares que serão instalados em pórticos, pontes e viadutos para fiscalização das infrações do Grupo A e sem a necessidade de sensores no chão. Por fim, as chamadas barreiras eletrônicas também terão funções do Grupo A, mas sem invasão de faixa de ônibus.

Haverá também 20 radares móveis para multas veículos com excesso de velocidade, desrespeito ao rodízio e invasão de faixa de ônibus. A CET pretende também disponibilizar a velocidade média das vias monitoradas através da internet, para que o condutor possa planejar seu trajeto ao longo do dia.

[Fonte: Folha]

O número de pessoas que morreram no trânsito em vias do Distrito Federal caiu 10% na comparação entre 2013 e 2012, afirma o Detran. Balanço preliminar da instituição divulgado nesta terça-feira (7) mostra que 375 pessoas morreram em acidentes de trânsito em 2013 contra 417 no ano anterior.

Segundo o Detran, a média de acidentes com morte por mês em 2013 é a menor desde 1995. O departamento calcula, para o ano passado, o equivalente a menos de um acidente com morte por dia. Foram 353 acidentes fatais em 2013 contra 392, em 2012, e 418, em 2011.

Com relação aos acidentes fatais envolvendo ciclistas, o Detran diz que foram registradas 27 ocorrências em 2013, o menor número desde 2000, diz o órgão.

Uma pessoa morreu após ser atropelada na faixa de pedestre em 2013. No ano anterior, oito pessoas morreram ao tentar a atravessar a faixa de pedestre.

O Detran afirma que o número de mortes por veículo considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas é de três óbitos a cada 10 mil veículos. Segundo o departamento, o DF registrou em 2013 2,5 mortes a cada 10 mil veículos.

Fonte: http://www.cbnfoz.com.br/editorial/brasil/distrito-federal/07012014-73920-detran-diz-que-mortes-no-transito-em-vias-do-df-cairam-10-em-2013

Mais de 100 motociclistas morreram vítimas de acidentes de trânsito em Goiás no ano de 2013. Os dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Especialistas acreditam que o despreparo, tanto do motorista, quanto do motociclista, é um fator determinante para o aumento de acidentes de trânsito.

Por pouco o estudante Alexandre Marcelino, de 24 anos, não faz parte dessa estatística. Ele não morreu, mas ficou paraplégico após sofrer um acidente de moto. “A moto dá uma sensação de liberdade extrema, então da mesma forma que a moto dá essa sensação de liberdade ela pode acabar com essa mesma liberdade que ela dá. Ela pode matar. Então é uma coisa que não pode brincar, tem que se usar com prudência”, alerta.

O estudante, que aos poucos tenta retomar a vida, relembra os primeiros pensamentos após receber a notícia de que tinha perdido os movimentos dos membros inferiores. “A primeira coisa que eu pensei foi, a minha namorada, se ela ia continuar comigo, minha vida, que estava em plena ascensão profissional, meus estudos, que tudo ia parar”, conta.

Além de perder a vida, esse tipo de lesão é um dos maiores temores dos cerca de 240 mil motociclistas que circulam diariamente pelas ruas de Goiânia. “O que as pessoas temem muito é a tetraplegia, que são as lesões na região cervical, que você perde movimentos de membro superior e inferior”, afirma o médico ortopedista Grimaldo Martins.

Para Alexandre Marcelino, o trauma só pode ser superado com muita motivação e otimismo. “Foi bem revoltante, mas hoje estou tentando superar, tentando voltar à minha vida normal, porque a vida continua apesar de tudo, e é bola pra frente, tentar seguir em frente”, diz.

Fonte: http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/01/acidentes-de-transito-matam-mais-de-100-motociclistas-em-um-ano-em-go.html 

 

Motoristas americanos se distraem e tiram os olhos da pista durante 10% do tempo em que dirigem. Comer, pegar o celular e enviar mensagens de texto são algumas distrações comuns, que aumentam o risco de acidentes, sobretudo para jovens com pouco tempo de habilitação. É o que revela um estudo publicado nesta quinta-feira no periódico The New England Journal of Medicine.

Os autores analisaram gravações feitas no interior de cerca de 150 veículos em movimento, um quarto deles conduzidos por pessoas com até três semanas de experiência no volante. A pesquisa revelou que os motoristas passaram 10% do tempo distraídos.

Durante o estudo, houve 685 acidentes ou quase acidentes causados pelo motorista. Os cientistas analisaram o que os condutores faziam no momento e perceberam que a experiência do condutor influenciou a ocorrência de sinistros.

Para motoristas veteranos – vinte anos de experiência, em média –, pegar um objeto, ingerir bebidas não alcoólicas e comer não elevou o risco de choques. Já fazer uma ligação no celular aumentou a chance em duas vezes e meia.

Os perigos foram maiores para quem tinha menos de dezenove meses de habilitação. Entre esse público, o risco de bater o carro ou quase bater foi oito vezes maior ao fazer uma ligação no celular; sete a oito vezes superior ao buscar um objeto ou telefone; quase quatro vezes maior ao escrever ou ler mensagens; e três vezes superior ao comer.

O hábito de mandar mensagens de texto foi analisado somente entre jovens motoristas – em ações gravadas entre 2006 e 2008, por dezoito meses. Isso porque os dados sobre condutores experientes foram coletados entre 2003 e 2004, durante doze meses, antes que as mensagens de texto se tornassem tão populares.

“Qualquer coisa que desvie a atenção de um condutor pode ser perigosa, mas nosso estudo mostrou que essas atividades são especialmente arriscadas para novos motoristas”, afirma um dos autores do estudo, Bruce Simons-Morton, pesquisador do Instituto Nacional Eunice Kennedy Shriver de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano, nos Estados Unidos.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/estudo-mostra-que-motoristas-se-distraem-10-do-tempo-ao-dirigir